A empresa que investe em educação executiva tem retorno? Como garantir que os profissionais estejam sempre atualizados e preparados para responder com eficácia e prontidão às expectativas atuais e futuras do mercado? Estes são alguns dos principais questionamentos das companhias na hora de decidir se é válido ou não aplicar recursos financeiros e tempo no aperfeiçoamento de seus talentos.
Para Paulo Grise, professor da Escola de Marketing Industrial (EMI) e consultor da JCTM Marketing Industrial, o processo de transformação das pessoas e companhias vem do conhecimento, que motiva o aprimoramento dos processos cotidianos e, especialmente, a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação em produtos, serviços e gestão, fatores responsáveis pelo sucesso da empresa e por sua excelência no atendimento aos clientes.
Investir na ampliação do conhecimento sempre vale a pena, desde que a empresa estabeleça objetivos claros, ofereça condições para que o aprendizado seja implementado e haja uma correta análise da contribuição do conteúdo e das práticas para o dia-a-dia da organização, bem como da capacidade do participante de disseminar as informações para outros profissionais.
“A companhia tem de saber se quer só aprimorar processos ou se visa grandes transformações na cultura, nos processos ou na gestão, de acordo com a área contemplada nos programas e cursos. Deve também ter definidas as metas de mobilização e de coletivização do conhecimento adquirido dentro de um departamento específico ou por toda a companhia”, explica Grise.
A demanda e a preocupação com a educação corporativa existem há muitos anos e sua intensidade é maior conforme se amplia a diversidade e a complexidade da oferta, assim como a competitividade do setor de atuação, o que tem motivado a criação de muitas academias próprias de treinamento e aprimoramento de seus quadros, assim como a busca por instituições confiáveis, inovadoras e eficazes. Grise acrescenta que esta é outra dúvida que incomoda as lideranças: quando é melhor investir em centros próprios ou procurar instituições externas - isentas em relação aos vícios, deficiências e pressões corporativas.
“A resposta difere de acordo com as necessidades organizacionais, que algumas vezes buscam inovações somente incrementais, que podem ser obtidas por meio da transmissão do conhecimento interno, ou inovações radicais, que exigem informações e expertise externa – de um profissional atuante no mesmo setor ou em outro completamente diferente”, enfatiza o consultor. Segundo ele, o certo é que as empresas têm de buscar alternativas para ampliar o conhecimento e as competências sempre, pois os executivos tomam decisões em 80% dos casos baseados em situações totalmente novas e precisam estar sempre atualizados com o que há de novo no mercado em suas respectivas áreas. “Atualmente, a cada quatro anos o conhecimento duplica e isso está em franca aceleração”.
Em sua perspectiva, Grise defende que, para se ter qualidade e eficácia no projeto educativo, três elos devem estar comprometidos com o aprendizado, disseminação e implementação dos novos conhecimentos e informações: a empresa, o individuo e a escola.
É de responsabilidade da companhia construir, ao longo dos anos, um processo consistente de gestão do conhecimento, definir competências que utilizará no futuro e oferecer um ambiente saudável que estimule a busca por novas perspectivas de aprimoramento e a inovação, assim como a responsabilidade de estabelecer e manter ativos mecanismos de compartilhamento do conhecimento.
O individuo deve ter iniciativa própria na busca do aprendizado e objetivos pessoais e profissionais, além de compromisso com o plano de desenvolvimento da empresa para transformar conhecimento em competência. “Ou seja, a pessoa tem de querer, fazer acontecer e ter esta oportunidade profissional”, completa Ivo Bambini, também professor da EMI.
A instituição de ensino, por sua vez, deve adotar uma metodologia atualizada e inovadora, antenada com a realidade cotidiana das empresas, e conhecer de maneira aprofundada os diferentes mercados de atuação e suas perspectivas futuras. Uma boa escola reune conhecimento, competências relevantes e transformadoras – sempre com uma base filosófica sólida, tendo propósito e valores; é multidisciplinar, inovadora e flexível para se adaptar com facilidade às mudanças e incertezas, inerentes aos mercados corporativos; conta com múltiplos atores como professores e mestres, que reunam conhecimento técnico e vasta experiência executiva, acrescentando diferentes pontos de vista, experiências e perspectivas.
“Somente uma escola com este perfil está apta a tornar o profissional mais reflexivo, estratégico e crítico, capaz de selecionar informações prioritárias; solucionar problemas; adaptar-se ao novo; realizar projetos relevantes e enxergar a importância de aprender continuamente, com apreciação de leitura, escrita, exercícios de pensamento e atividade intelectual”, ressalta Grise.
Para exemplificar, Bambini destaca alguns diferenciais da Escola de Marketing Industrial, onde os alunos (presidentes, diretores e gerentes de importantes empresas atuantes no Brasil) são considerados coautores, por sua participação ativa em todas as discussões, contribuindo para o aperfeiçoamento constante dos programas oferecidos. “Na EMI, nós trabalhamos com exemplos práticos e os coautores têm a tarefa de encontrar os desafios em suas próprias empresas, bem como as soluções. As situações mercadológicas são analisadas por diferentes ângulos por profissionais que têm a função de decidir em suas companhias, por isto as aulas são sempre muito produtivas e trazem melhores resultados ao dia a dia corporativo”, ressalta Bambini.
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