Passada a crise econômica, as empresas deverão observar algumas lições decorrentes do período, se quiserem assegurar um movimento sustentável de negócios. Alguns desafios, que antes da eclosão da crise já estavam presentes ao dia-a-dia das corporações, estão ressurgindo com força renovada e impondo mudanças. Entre eles o apagão de talentos, a necessidade de inovação e a concorrência da China. Estes foram alguns pontos que executivos e presidentes de empresas líderes em seus segmentos debateram, em março, durante a Usina do Conhecimento, promovida pelo Instituto de Marketing Industrial (IMI) e realizada na Escola de Marketing Industrial (EMI).
“A crise não foi suficiente para levar as empresas a se transformarem”, observou José Carlos Teixeira Moreira, presidente do Instituto e da Escola de Marketing Industrial, na abertura do encontro. Por isso, mudanças que já eram necessárias, tornaram-se imperativas. “Não houve uma interação com a crise de 2008 e 2009, e isso leva a uma perda de ensinamentos nas relações sociais, a qual amplia o risco de alguns erros se repetirem”, reiterou Jean Bartoli, um dos professores-executivos da Escola de Marketing Industrial.
Um dos temas que mais apreensão traz aos gestores é o “apagão” de talentos. Embora se constate uma recuperação dos negócios, muitas empresas estão ansiosas e em busca apenas de resultados expressivos, deixando de olhar e investir em seus talentos. Ou seja, tendem a priorizar a mudança baseada na substituição de pessoas, e não a estratégia de negócio. “Em consonância com a retomada dos negócios, é preciso destinar atenção e investimento às ações essenciais que realmente agreguem valor à empresa, como a realização das pessoas que formam essa empresa”, ressaltou Paulo Salomão, professor-executivo da EMI.
Aliada a esse contexto de valorização de pessoas está também a necessidade de fazer as coisas de um jeito diferente daquele pelo qual as empresas atuavam antes da crise. “Antes, as empresas queriam fazer melhor, agora estão premidas pela urgência de fazer diferente, de inovar”, ressaltou José Carlos Teixeira Moreira. Por isso, a criatividade se torna fundamental não só para recuperar, mas para se destacar no mercado. E o momento posterior a uma crise é o ideal para aplicar a inovação nas corporações, seja pela tecnologia ou pelas ideias.
Como parte dessa forma de agir diferente, uma das tarefas é a exigência de se olhar para a China sob uma nova perspectiva, face às mudanças no perfil de produção chinês que têm afetado a indústria nacional. Muitas empresas brasileiras estão se utilizando da estrutura logística e do preço e da qualidade da matéria-prima chinesa, seja para assegurar o desenvolvimento dos negócios no mercado interno ou instalando operações naquele país, episódio já bem comum entre empresas americanas, alemãs e britânicas também fixadas naquele país.
No âmbito macro, o ano eleitoral até demanda a atenção dos executivos, mas a atmosfera é positiva e a aposta é por um 2010 promissor. Moreira observou que hoje as ações estão voltadas para a aplicação dos investimentos, diferentemente do que se via há um ano, quando as empresas se preparavam para retomar os investimentos diante da perspectiva do fim de crise. “Não há percepção de mudar a forma de trabalhar, apenas avaliar o retrospecto para o melhor emprego dos recursos”.
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